Batuques da Folia
Batuque é a produção de sons da musicalidade das rodas de samba, da folia carnavalesca; é uma batida rítmica em um utensílio de cozinha ou caixa; é a ação de batucar, de bater repetidamente e de marcar ritmo. Uma característica marcante da dança do batuque é o compasso do rítmo, fortemente marcado por palmas, sapateados e o movimento frenético dos quadris.
Batuques por Johann Moritz Rugendas (1822-1825)
O Batuque pode também ser uma designação para a dança de roda, executado por um grupo que forma uma roda. Nela, não são apenas os dançarinos que participam. As pessoas que ficam ao redor, assistindo, são convidadas a entrar no folguedo, bem como os próprios músicos. Usa-se Batuque para danças religiosas afro-brasileiras que são acompanhadas de instrumentos de percussão.
origem e história
"O Batuque tem suas raízes nas tradições trazidas pelos africanos escravizados e indígenas, durante o período colonial. Ele surgiu como uma forma de resistência e uma expressão de identidade para a comunidade afrodescendente no Brasil." (2) Com isso, os negros brasileiros começaram a transformar o legado dos tambores ancestrais de terreiros de candomblé/umbanda (religião) em folia profana, nascendo assim, o Samba. Com o surgimento do "Samba", manteve-se o princípio básico da musicalidade africana e a percussão rítmica. Dos batuques veio a evolução em baterias com surgimento das Escolas de Samba, assim o Carnaval Brasileiro virou o palco oficial para o samba, bateria e o batuque.
"O batucar dos tambores, as vozes que ecoam os versos de um samba, os corpos que dançam..."
"O samba no Brasil, surgiu no final do primeiro Império, no final do século XIX, por volta de 1860 a 1890. Era um samba diferente, tocado com apenas jongo, batuque e cateretê. Mais tarde veio o fado brasileiro e por último o samba.
A criação de um tipo de música carnavalesca capaz de expressar o gosto e as necessidades de cada uma dessas camadas, no entanto, não foi tão fácil de conseguir quanto essa divisão dentro da estrutura social.
CONTINUAÇÃO AQUI.
ascenção das batucadas
As batucadas carnavalescas não existiam em Salvador antes de 1930. Nesta época, Salvador ostentava muitos blocos e cordões pequenos, com referências afro e afoxé.
Em 1938, o número, tamanho e iniciativa dos clubes já eram bem menores.
Entre 1941 e 1945, três grandes clubes baianos não conseguiram sair em cortejo carnavalesco.
Na década de 1940, aumentou consideravelmente o desfile de pequenos Clubes,
tornando um evento popular dominado pelos mais "pobres", sendo considerado a "Era das Batucadas".

Batucadas no Carnaval de Salvador 1952 - Fundação Gregório de Matos
Em 1942, o Jornal A Tarde publicou o "O valor dos cordões e das batucadas no carnaval", crônica de Aureo Contreiras e reeditada em 1943, no Diário de Notícias. A crônica defendia ue as manifestações populares dos bairros pobres e as batucadas percussivas eram a verdadeira alma e o fator real da festa momesca. Contreiras argumentava que os cordões e as batucadas representavam a parte mais genuína e viva do carnaval brasileiro, distanciando-se de folguedos, que pra ele, eram "artificiais". A crônica alinhava-se ao pensamento nacionalista da época, enxergando na mistura de heranças culturais presentes nos batuques e cânticos de rua a verdadeira identidade do país
Jornal A Tarde (Salvador BA) - 31/01/1946
"Os jornais abraçaram o Carnaval Popular e se entusiasmaram com todas as modalidades de pequenos clubes." (8)
declínio das batucadas
Depois 1950, os clubes de elite recuperaram sua situação financeira, mas não recuperariam seu domínio carnavalesco, isso porque
nessa década, acontece o desfile da Fobica (primeiro trio elétrico), e em consequência a criação de blocos,
CONTINUAÇÃO AQUI.
Nessa época, as Batucadas começam a diminuir gradativamente, e na metade da década de 1960 as Batucadas já são praticamente inexistentes no cenário carnavalesco baiano.
afinal, o que é batucada?
A Batucada é um encontro popular que tem acompanhamento de instrumentos de percussão. Há um solo e, em seguida, todos batucam ao mesmo tempo ritmicamente. Cecília Meireles retrata "os bambas batuqueiros, ritmistas dos ranchos, blocos e cordões carnavalescos; valentões das rodas de pernada da praça Onze, herdeiros das antigas maltas de capoeiragem dos tempos do Império." (3)
Especificação de Batuque - 1952 - Diretoria do Arquivo e Divulgação da Prefeitura de Salvador - Bahia
BATUQUE COLETIVO
É uma versão menor e individual do carnaval de rua, trazendo para dentro de uma festa particular as características e virtudes das escolas de samba e blocos de rua.
BATUQUE DE PANELAS
Nas escolas brasileiras eles fazem "Batuque de Panelas", para estimular a atenção, concentração, coordenação motora, percepção auditiva e visual, criatividade e outras habilidades.
As escolas usm panelas de diferentes tamanhos, tampas de alumínio, colher de pau, colheres de alumínio, latas de alumínio e potes de plásticos. Todos de tamanhos diferentes.
o que é dança de batuque?
Sim, tamanha a diversidade cultural brasileira que também temos a "Dança do Batuque", que "é caracterizada por movimentos vigorosos e enérgicos, acompanhados por ritmos marcados pelos tambores. Os dançarinos se movimentam em círculos, interagindo uns com os outros e com os músicos em uma dinâmica de resposta e sincronia. Os passos da dança são improvisados e variam de acordo com o ritmo e a energia da música.
Além dos movimentos corporais, expressões faciais e gestos também são usados para transmitir emoção e contar histórias durante a dança." (2).
Quais são as características do batuque? "Consiste em forte marcação por movimento dos quadris, sapateados, palmas e estalar de dedos, e apresenta como elemento específico a umbigada - que o dançarino ou dançarinos solistas dão nos figurantes da roda escolhidos para os substituir." (5)
De origem africana, esta dança vem acompanhada de instrumentos musicais, os quais são: os membranofônios (tambu, quinjenje ou mulemba) e os idiofônios (matraca e guaiá); antigamente, o cordofônio (urucungo).
As danças de batuque mais comuns, CONTINUAÇÃO AQUI
ritmos baianos que nasceram das batucadas?
No berço histórico de Salvador, ritmos e bandas tem o batuque como marca registrada. Além de possuirem uma forte influência africana e indígena, criaram uma mistura de marcações e paradas rítmicas. Ritmos e Ritos Afro-Baianos: "Diversidade manifestada na consistente ligação entre essa expressão cultural e as religiões de matrizes africanas, por meio da apropriação dos diversos ritos político-culturais dos negros com o divino e com a vida terrena". (4)

Harpa Colecionáveis e Antiguidades
quais os instrumentos usados nas rodas de samba e no carnaval?
Os batuques carnavalescos utilizam principalmente instrumentos de percussão que formam o ritmo e a base das baterias.
Os principais instrumentos de percussão são:
- SURDO - Tambor grande de som grave responsável por marcar o tempo principal do ritmo.
- CAIXA ou TAROL - Cilindro com esteira metálica que produz som agudo e estalado, sustentando o andamento constante da batucada.
- REPIQUE - Também chamado de Repinique é um Tambor agudo tocado com baqueta e mão, usado para dar chamadas, introduções e comandos de virada na bateria.
- TAMBORIM - Pequeno tambor de som estridente tocado com uma baqueta fina, que executa levadas rápidas e bossas.
- CHOCALHO - Também chamado de Ganzá é um nstrumento agitado com as mãos para preencher a parte leve e o agudo do ritmo.
- CUICA - Tambor com uma haste interna de madeira que é friccionada com um pano úmido, produzindo um som característico semelhante a um ronco ou gemido.
- PANDEIRO - Essencial tanto em rodas de samba quanto em alas de solo e blocos menores.
a batucada e o samba
A história da batucada e do samba sempre andaram juntos, entrelaçados no som e na dança, CONTINUAÇÃO AQUI.
BIBLIOGRAFIA
Pesquisadora Lilian Cristina Marcon
(1) LISBOA JR, Luiz Américo - Samba
(2) Danças Típicas Brasileiras, dancastipicas.com
(3) MEIRELES, Cecília - Batuque, Samba e Macumba, 1935, Editora Global
(4) E-PRAXE, po Cleonilton Souza - Ritmos e Ritos Afro Baianos, 17/12/2017
(5) CNFCP, Centro Nacional de Foclore e Cultura Popular, Batuque
(6) UFRGS, Religiões de matriz africana no Rio Grande do Sul, nov 2021
(7) FELIX, ANISIO - Filhos de Gandhi: a história de um afoxé, Cid Teixeira (Prefácio), Bahia Gráfica Central, 1987
(8) ICKES, SCOTT, Era das Batucadas, O Carnaval baiano de 1930 a 1940
- MICHAELIS, Dicionário da Editora Melhoramentos
- HARPA Colecionáveis e Antiguidades, Capa da Partitura
- Presidência da República, Casa Civil, LEI 14.991, de 27/09/2024, SEE+
- JORNAL A TARDE, "O valor dos cordões e das batucadas no carnaval", Aureo Contreiras, 1942
- UEM, A Identidade nos Corpos Batuque
- IMAGENS - os devidos créditos estão delegadas nas fotos e imagens