Verão no Pelô: afoxé, rap, percussão e axé (24)


A cultura baiana segue pulsante pelas ruas e largos do Pelourinho durante a estação mais animada do ano, e, neste sábado, dia 24 de janeiro de 2026, atrações inéditas que integram a programação do verão baiano irão subir aos palcos do Centro Histórico (Pelourinho), em Salvador, na Bahia. São elas: Amanda Santiago, Roça Sound, Mr. Armeng e Filhos do Congo, além do workshop percussivo comandado pelo coletivo Bahia Percussion Camp. Tanto os shows quanto a oficina de percussão têm entrada gratuita, proporcionando conhecimento, diversão e acesso à cultura aos visitantes do Pelô.

As atividades começam pela manhã, às 10 horas, no Largo Tereza Batista, com o workshop percussivo do Bahia Percussion Camp, grupo que traz em seus batuques e ensinamentos influências do Candomblé, do pagode, do samba de roda, dentre outros ritmos e vertentes musicais. A proposta é expandir o conhecimento sobre percussão para além do exercício prático, promovendo diálogos entre os participantes sobre a origem das batidas, quem são os principais mestres da percussão, entre outras interações que valorizam a arte percussiva, especialmente na Bahia. Toda essa programação faz parte do projeto Verão na Bahia.

É nesse mesmo largo que o rapper Mr. Armeng e o grupo Roça Sound, às 19 horas, levam a cultura hip hop para trocar com baianos e turistas que frequentam o Pelourinho. Mr. Armeng, que, além de MC, é arte-educador e leva a música como instrumento de transformação para a sala de aula, vai apresentar suas músicas autorais, que fazem críticas ao modelo de sociedade em que vivemos, com letras contundentes sobre batidas de rap.

Ele divide o palco com o grupo Roça Sound, que também utiliza o rap para trazer reflexões e mensagens afirmativas em suas letras. Oriundos da periferia soteropolitana, já lançaram cinco álbuns, que envolvem o rap, o reggae e o sound system, e prometem apresentar um mix desses trabalhos para o público do Pelourinho neste sábado.

AXÉ E AFOXÉ BEM REPRESENTADOS – Quem assume a responsabilidade de levar clássicos do axé music para o Centro Histórico é a cantora e compositora AMANDA SANTIGAO, às 20 horas, no Largo Pedro Archanjo. Ex-vocalista da Timbalada, filha do músico Lui Muritiba e parceira artística de Carlinhos Brown, ela inclui no repertório sucessos como “Toneladas de Desejo”, “Sambaê” e “Minha História”.

Já no Largo Quincas Berro D’Água, às 19 horas, o grupo Afoxé Filhos do Congo mantém vivos o ijexá e a cultura afro, traduzindo a força e a beleza de um bloco afro para baianos e visitantes do Pelourinho. Para conduzir ainda melhor os ritmos, o grupo associa diversos instrumentos de corda aos batuques percussivos, já característicos dos blocos afro-brasileiros. A noite promete ainda participações especiais, como a do vocalista Jorginho Commancheiro, fundador e presidente do grupo cultural Commanche do Pelô.

Lembrete: todas as entradas são gratuitas. Um Estado de Alegria, promovido pelo Governo da Bahia, através da Secretaria de Cultura da Bahia (SecultBa).


COMO FOI?


Os elementos percussivos e o ecoar dos tambores tomaram conta do Pelourinho, neste sábado (24), assumindo diferentes formas de levar entretenimento e cultura aos visitantes do Centro Histórico de Salvador. Pela manhã, os batuques foram instrumentos de troca de saberes entre instrutores e aprendizes, durante uma Oficina de Percussão promovida gratuitamente. À noite, a musicalidade da percussão deu o tom para que shows de afoxé, rap e axé music animassem os largos do Pelô. Totalmente gratuitas, as atividades integraram mais um dia de diversidade do projeto Verão na Bahia. Um Estado de Alegria, promovido pelo Governo da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura (SecultBA).

E foi no Largo Tereza Batista, pela manhã, que o coletivo Bahia Percussion Camp realizou seu primeiro workshop do ano no Brasil, compartilhando conhecimentos sobre a prática percussiva tradicional da Bahia e promovendo uma imersão na cultura local sob o olhar de quem toca os instrumentos. Espanhol, da cidade de Mallorca, o turista Antony classificou como “maravilhosa” a iniciativa de fazer parte de uma programação gratuita. “É como um sonho estar aqui, no Pelourinho, para compartilhar e conhecer essa cultura. Acho maravilhosa a ideia do Governo do Estado em garantir esse momento para todos”, registrou Antony, que contou fazer parte do conjunto percussivo Bloco Ayan, na Espanha.

À noite, os tambores do Afoxé Filhos do Congo abriram a festa e anteciparam um pouco do que será o desfile de Carnaval para baianos e turistas que movimentaram o Pelourinho. Neste ano, o grupo homenageia a educadora e ativista Makota Valdina, soteropolitana que lutou de diversas formas contra o racismo e a intolerância religiosa. “É assim que se promove a cultura: reverenciando e trazendo para o centro do diálogo as nossas referências. Makota Valdina fez muito por nós e, por isso, estamos destacando o trabalho dessa figura importantíssima para a valorização e o resgate da nossa história”, explicou Nadinho do Congo, pesquisador da música afro-brasileira e líder do grupo Afoxé Filhos do Congo.

Amanda Santiago subiu ao palco do Largo Pedro Archanjo às 20 horas, e o chão da praça já estava lotado quando a cantora começou a relembrar músicas que ajudaram a fazer do Carnaval baiano um dos mais visitados do mundo. “Tocar no Pelô exige essa consciência sobre a importância que esse lugar tem na representação da nossa cultura”, pontuou a ex-vocalista da Timbalada, ao falar da expectativa de troca com o público que já aguardava o início do show. A diversidade e a estrutura do projeto “Verão na Bahia” também foram pontos ressaltados pela cantora, que disse estar “impressionada com a variedade de atrações, com a organização e a segurança nos largos, além de saber que essa interação vai durar até o Carnaval”.

Se os beats são batidas eletrônicas que simulam o som de instrumentos percussivos, também não faltou batucada na noite do Largo Tereza Batista, quando o grupo Roça Sound e o cantor Mr. Armeng levaram o rap e a cultura de rua para o palco. Diretamente de Feira de Santana, o Roça Sound, que se destaca pela atuação no sound system, convidou o DJ Magnata King Faya e abriu os trabalhos sob influências do reggae e do raggamuffin.

Logo após, o cantor, compositor e arte-educador Mr. Armeng levou sua banda para mostrar a contundência do seu rap e a conexão desse gênero musical com o Centro Histórico de Salvador. “O rap é daqui por natureza, por ser resistência. Desde 2012, eu e outros artistas ocupamos o Pelourinho com nossa música e nossa arte, trazendo, além do rap, o break, o grafite e o conhecimento para esse local de tamanha importância para o mundo”, registrou o MC.

Fonte/ Texto: SECULT BA (24 + 25/01/2026) - Janeiro 2026

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