A massa em lata invadia a praça, eletricidade, alegria, uma Nação Tropical,
Baianos de cara negra, de cara branca, escultores da cultura e folia brasileira
É um povo em peso balançando na voltagem do Farol, pra ver tremero céu de Fevereiro,
CARNAVAL, TRIO ELÉTRICO E FOLIA



Mas afinal o que é um trio elétrico ?


O trio elétrico é um veículo adaptado, geralmente um caminhão com carreta longa aberta, com um palco na parte superior e potentes aparelhos de som nas laterais. Ele serve para apresentar música ao vivo, arrastando multidões.

O Trio Elétrico é o único veículo carnavalesco de fato. O trio elétrico é um caminhão gerador de alegria. Surgiu em 1950, quando Osmar Macedo, Adolfo do Nascimento e Temistócles, num velho ford de bigode, equipado com dois auto-falantes percorreram toda a Rua Chile em Salvador durante os dias de carnaval.



Crédito: Acervo Família Macêdo


O sucesso foi tão grande que fez surgir, no ano seguinte, o trio elétrico, com Armando Meirelles na percussão. Do trio original, resta a lembrança. Os trios elétricos atuais são verdadeiras máquinas do futuro, incorporando as tecnologias mais avançadas de engenharia de som. CONTINUAÇÃO AQUI


Crédito: Acervo Família Macêdo

origem e história


Nasce em 10 de Novembro 1920, no Beco do Chinelo, bairro de Santo Antonio em Salvador BA, Adolfo Antonio Nascimento, popularmente conhecido como Dodô. Outro bebezinho que entraria para a história, nasce em dia 22 de março 1923 Osmar Alvares de Macedo na Ribeira, filho de pai pernambucano.

Depois de Osmar estar estabelecido como dono de uma empresa de metalurgia e Dodô que sobrevivia como técnico em eletrônica. Ainda jovens, se conhecem na penímsula de Itapagibe se conheceram, em um programa de rádio em 1938 e começam a tocar juntos no conjunto musical Três e Meio.


Osmar Macedo tocava cavaquinho e Dodô violão. Ainda O grupo emitente de choro se apresentava no Tabaris, ponto de encontro dos boemios na Praça Castro Alves.

Em 1943 Dodô e Osmar inventaram o PAU ELÉTRICO, instrumento musical de som estridente, criado num pedaço de cepo maciço, instrumento que se transformaria no que é hoje a guitarra baiana. A idéia surgiu à partir do deslubramento, após assistirem um ano antes, o show do violinista Benedito Chaves no Cine Guarani em Salvador, em que o mesmo tocava um violão elétrico. Embrião da guitarra baiana, instrumento modificou a história do Carnaval de Salvador

Segundo Aroldo Macêdo: "Antes de criar a fobica, os dois amigos tiveram a idéia de construir o pau elétrico após verem, no antigo Cine Guarani, uma apresentação do violonista Benedito Chaves, que estava de passagem por Salvador, em 1942." - CONTINUAÇÃO AQUI


Crédito: Acervo Família Macêdo

De 1944 à 1949, Dodô e Osmar levam sua graça, simpatia aos inúmeros clubes, festas e bailes através de seus instrumentos elétricos, ganhando assim a popularidade. São mundialmente conhecidos como a Dupla Elétrica.

No Carnaval de 1950 eles sairam em um Ford 1949 tocando instrumentos adaptados à músicas da Academia do Frevo.

Em 1951 o Engenheiro Temistocles se integrou a dupla tocando triolim (violão tenor) em cima de um caminhão com alto-falantes, corrente elétrica, iluminado por lâmpadas fluorescentes, ou seja, a Fobica com os três integrantes passaram a ser chamado de TRIO ELÉTRICO.


Banda Três e Meio
Crédito: Acervo Aroldo Macêdo


Em 1952, a fobica saiu sem Temístocles, mas preservou o nome Trio Elétrico, que já tinha ganhado fama. Se o caminhão da alegria começou a deselitizar a folia, Caetano Veloso deu sua contribuição rebelde para popularizar ainda mais a festa, em 1969, com o frevo Atrás do trio elétrico.

Em 1964 Dodô e Osmar fazem um mini-trio numa pick-up Ford F-1000, para seus filhos, com idade aproximada aos 12 anos, desfilassem no Carnaval de Salvador em 1965.

Entre 1966 à 1973, Dodô e Osmar não desfilaram, porém Orlando Campos não parou de criar novos trios elétricos. Em 1974 retorna ao Carnaval com o Trio Elétrico Armandinho, Dodô e Osmar, equipado com bateria e contrabaixo de cinco cordas e passaram a gravar discos.


Micareta de Feira em Feira de Santana - 1952
Crédito: TVE - Programa 60 anos de Trio Elétrico


O radiotécnico Adolfo, o Dodô, morre em 15 de junho de 1978, com 64 anos e o engenheiro Osmar Macedo em 30 de junho de 1997, aos 74 anos deixa essa esfera orgulhoso pela expansão de sua criação.


Atrás do trio elétrico, só não vai quem já morreu ...

O frevo baiano passa a ser o ritmo carnavalesco mais tocado nos desfiles de Trio Elétrico, gerando danças em compasso binário e com andamento acelerado, na qual os dançarinos (passistas ou foliões) executam coreografia individual, improvisada e frenética.

O ritmo ganha reconhecimento e projeção nacional através da música ATRÁS DO TRIO ELÉTRICO, composta e interpretada por Caetano Veloso em 1969.


Atrás do trio elétrico
Só não vai quem já morreu
Quem já botou pra rachar
continuação


Trio Elétrico na Rua Chile no Carnaval de Salvador de 1980
Crédito: Arquivo Histórico Municipal - Salvador


falando da fobica - onde fica a original?


Caramba! Você vai todo ano ao Carnaval de Salvador, na Bahia e nunca viu a fobica de perto? Você sabia que ela fica em exposição? Bora já! Anote aí:

A fobica original que Osmar e Dodô desfilaram pela primeira vez no carnaval fica em exposição no Museu da Música, localizado no coração de um dos mais belos cartões-postais de Salvador : a Lagoa do Abaeté. ã dentro de um parque metropolitano de 1.283 hectares, ondea lagoa de águas escuras se destaca junto a dunas de areia branca e fina, fixadas por restingas.

Uma dica prá lá de legal: o Museu homenageia bandas/artistas expondo uma semana de fotos, trajetória musical, discografia, roupas dos shows e muito mais.



Exposição da Fobica original em Salvador
Crédito: Acervo Museu do Carnaval



surge a carroceria elétrica


Da Fobica à Carreta - O trio elétrico Tapajós nascido há alguns anos em Salvador BA, reedita a velha história do portugues ZÉ PEREIRA e ao invés da lata e um batuque desordenado e de certo modo melancólico, o trio surge em tons eletrônicos e motorizado, vau saindo pelas ruas arrastando também quem é folião.

Orlando Campos, conhecido como Orlando Tapajós, desfilou pela primeira vez no Carnaval de 1956, em Periperi, bairro no subúrbio de Salvador (BA). Em 1962, lançou no Carnaval de Salvador, a primeira carroceria elétrica, com estrutura de chapa metálica e madeira, iniciando assim a evolução dos trios elétricos. Orlando tirou o modelo de uma revista de aeronaves enquanto lia no avião. Ele foi ao banheiro, rasgou a página da revista e escondeu no sapato para facilitar na construção.



Trio Elétrico Tapajós
Foto Divulgação do Lançamento do Livro em 2014
"100 anos do Carnaval de Salvador"
Escrito por Nelson Cadena


Em 1964, pela primeira vez o trio Tapajós chega ao Carnaval do Recife, patrocinado pela Coca-Cola e pela Secretaria de Turismo.

De 1965 à 1967 o Tapajós é consagrado o trio elétrico campeão do Carnaval de Salvador.
Entre 1966 à 1973, Dodô e Osmar não desfilaram, porém Orlando Campos não parou de criar novos trios elétricos, que os alugava durante o carnaval, lavagens e MICARETAS. Todos os trios que criava, batizava.

Em 1984, o cantor Cid Guerreiro casou-se em cima do Trio Tapajós.



Crédito: Acervo Orlando Tapajós


No Carnaval de 2006, o Trio Tapajós completou 50 anos e em comemoração ao jubileu na folia, aconteceu um encontro de trios da Praça Castro Alves na madrugada da Quarta de Cinzas.


trio elétrico caetanave


Uma época em havia disputas e "rivalidades" para quem tinham o "melhor" dos trios, o Caetanave foi destaque da mídia nacional.

Tudo aconteceu lá em 1972, quando Orlando Campos mostrou sua criação, o trio "Caetanave".

Era um trio-elétrico em forma de nave espacial, que desfila pela primeira no Carnaval de 1973, em Salvador (BA), em comemoração ao exílio de Caetano Veloso e Gilberto Gil. Após alguns anos, por falta de patrocínio, deixa de desfilar.



Crédito: Adenildon Nunes

A alta tecnologia dos trios modernos, que, ao invés das bocas de alto-falantes e de luzes coloridas, têm atualmente som digital, efeitos de luz sincronizados come imagens computadorizadas.

Criado por Orlando Campos, popularmente conhecido por Orlando Tapajós,O Caetanave foi recuperado por CARLINHOS BROWN que conseguiu patrocínio da Prefeitura, e na madrugada do dia 12 de fevereiro de 1999, o Caetanave volta às ruas de Salvador após 16 anos sem desfilar.

Carlinhos Brown, majestoso de fraque e cartola, entrou com o Caetanave no Campo Grande (até a entrada dos camarotes) prestou homenagem à Caetano Veloso frente a imprensa, e lhe passou o comando da Caetanave.

Caetano Veloso puxou a folia no trio Caetanave sem cordas, acompanhado por uma orquestra selecionada por músicos que em 1973 lhe prestaram homenagem. Palavras são poucas para expressar tamanha emoção.

O último desfile da Caetanave aconteceu no Carnaval de Salvador de 1999. Desde então, a carcaça do trio ficou parada no Museu du Ritmo, em Salvador(BA).

Em 2014, retornou ao Carnaval no FURDUNÇO, em desfile PIPOCA (sem cordas).


Carroceria do Trio Elétrico Caetanave
no Museu du Ritmo, em Salvador BA
Crédito: FACOM UFBA


"A voz do povo é a voz de Deus, mas a voz do povo no trio elétrico é Deus amplificado"
( Carlinhos Brown )



E na lembrança da história momentos vividos de Orlando Campos, criador do Caetanave: "No encontro dos trios a surpresa renascia, de um lado os músicos antigos trajando smoking." (01)

"Do outro, uma homenagem ao recém chegado do exílio: a deslumbrante Caetanave do Tapajós, prateada com a tripulação de peso: Gilberto Gil, Gal Costa, Maria Bethânia e Caetano Veloso. Os foliões viraram-se para comtemplar o coro: Não se perca de mim, não se esqueça de mim, não desapareça, a chuva tá caindo..." (01)

"A emoção dava o tom. Ouvia-se a voz da Bahia, o compasso da saudade de um exilado. Caetano Veloso aterrisava em Salvador a bordo do avião mais lindo do mundo. Mesmo pequena e feito de carroceria e rodas, a Caetanave do Tapajós embarcou todo povo num vão ao infinito." (01)






Encontro de Trios Elétricos
Crédito: TVE - 60 anos de Trio Elétrico


primeiro cantor de trio elétrico


Desde a sua criação, da fobica aos trios, as apresentações carnavalescas são ao som de frevos eletrizados, samba ou percurssivos. Mas foi somente 1975, que Moraes Moreira cantou pela primeira vez em um trio elétrico e foi no Carnaval de Salvador, na Bahia, e cantando POMBO CORREIO. Essa criação inovadora mudou a maneira de celebrar o Carnaval na Bahia e carnavais fora de ée;poca (micaretas).


Crédito: Adilson Simas

Anos depois, Moraes Moreira puxou o Trio Elétrico como integrante da BANDA NOVOS BAIANOS formada por Pepeu Gomes e Baby Consuelo.


Crédito: Arquivo Historico de Salvador


primeiro trio desfila na micareta


Em 1954 a Micareta de Feira de Santana passou por uma revolução onde teve a PRIMEIRA PARTICIPAÇÃO de TRIO ELÉTRICO com o desfile do primeiro trio elétrico, o Patury, criado por Péricles Soledade em parceria com José Urbano Cerqueira (fabricante de instrumentos musicais) com Joaquim Bacelar (fabricante de aguardente cana Patury).

Tamanho o sucesso que no ano seguinte o trio foi incorporado definitivamente na Micareta. Anos mais tarde, outros trios elétricos de Salvador (Tapajós, Jacaré e Ypiranga) desfilaram na Micareta Feira de Santana, CONTINUAÇÃO AQUI.


Micareta de Feira de Santana BA
Crédito: Acervo Adilson Simas


blocos passam a desfilar com trio elétrico


"A invenção de Dodô e Osmar começou despretensiosa e evoluiu para uma complexa máquina tecnológica..." De 1980 em diante, a maioria dos blocos de Salvador aderem ao Trio elétrico, contagiando qualquer folião das ruas da Bahia. Nessa época, a percussão localizava-se nas laterais inferiores do trio e somente os músicos tocavam na parte superior.

Em 1981, o Bloco TRAZ OS MONTES desfila com toda a BANDA SCORPIUS (Bell Marques) tocando na parte superior do trio, promovendo assim uma REVOLU&CçÃO TECNOLÓGICA. O projeto foi do engenheiro de som Wilson Marques, irmão de Bell, onde fechou toda a lateral do trio com caixas de som, utilizando equipamentos de potência transistorizada, assim toda a banda junta na parte superior do trio.




Crédito: Acervo Pedrinho Rocha


Bloco Camaleão 1972 - Crédito: Camaleão - site Oficial


o trio elétrico ultrapassa fronteiras


Até 1983, os trios elétricos eram criados e desfilavam somente no Brasil. Neste ano, um trio elétrico foi construído na Itália, desfilando pela primeira vez na Pizza Navona, ao som da banda de Armandinho, Dodô e Osmar. Tamanho foi a repercussão e novidade, que o evento reuniu 90 mil pessoas - previsão da Emtursa (Empresa de Turismo de Salvador).

Em 1986 o Trio elétrico de Armandinho Dodô e Osmar desbravou fronteiras novamente, animando a Copa do Mundo no México. Também em 1996, a família Macêdo registrou a marca "Dodô & Osmar", como propriedade privada em nome de Aroldo Costa Macedo, um dos filhos de Osmar, deixando a família Nascimento fora dos trâmites.


a revolução dos trios elétricos


Dodô e Osmar criaram um sistema de som instalado em um automóvel para tocar pelas ruas durante o Carnaval. Eles ficaram conhecidos como a Dupla Elétrica e, posteriormente, com a participação de Temístocles Aragão, surgiu o nome Trio Elétrico. Com o passar dos anos, os trios elétricos cresceram e se modernizaram. Os equipamentos de som ficaram mais potentes, estruturas mais reforçadas, veículos ficaram maiores e modernos, e artistas passaram a realizar grandes apresentações em cima dos caminhões.

Dessa forma, o Carnaval deixou de ser apenas uma festa acompanhada por pequenas bandas e passou a contar com grandes estruturas capazes de reunir milhares de pessoas.


o trio que passou a ser o mais famoso do Brasil


Bastava se falar de Tiranossauro Rex em qualquer lugar do Brasil, que todo mundo já sabia do que se tratava: o Chicletão tá vindo por aí.

O Trio Elétrico Rex foi lançado em 2000, com toda a tecnologia de ponta da época. Por ser um grande investimento para trios elétricos , ele foi considerado como um "Trio Revolucionário", sendo premiado oito vezes como o "Melhor Trio Elétrico do Carnaval de Salvador - da Bahia.


Trio Tiranossauro Rex no Carnaval de Salvador 2006 - Crédito: Facebook Oficial

"Além de melhorias estruturais, como camarins mais bem equipados e sistema hidráulico interno, o Rex trazia também um avançado sistema de som, projetado por Wilson Marques. Por 10 anos, foi reverenciado pelos chicleteiros, até a saí do vocalista Bell Marques da Banda Chiclete com Banana, ao qual ele pertencia.

O Tiranossauro Rex - o Predador da Alegria virou o "Predador da Tristeza", sendo desmanchado e vendido por partes, pois Wilson Marques - o criador da criatura - não queria que fosse usado por mais nenhum bloco ou banda.


o maior trio elétrico do mundo


Em 2006, desfila pela primeira vez o Draão - o maior trio elétrico do Mundo - comandado pela Banda Asa de Águia (Durval Lelys). Em 2018, após inovações, o maior trio elétrico do planeta era O Volvo FH tem 540 cv, caminhão bi-trem (duas carretas) de 265 mkgf, som de 200.000 Watts e gera energia suficiente para uma cidade de 40.000 habitantes e só anda a 5 km/h

O Dragão têm com 34 metros de comprimento e seis de altura, o equivalente a um prédio de 11 andares deitado. Comportando 60 músicos e 100 convidados simultaneamente, superando em muito os trios convencionais de 24metros. O sistema entrega absurdos 200.000 Watts de som. A pressão sonora é tão forte que os alto-falantes são ouvidos a quilômetros de distância.


Crédito: SECOM/SECULT BA

Em abril de 2025, a estrutura sofreu um incêndio grave a caminho de Brasília, comprometendo parte do veículo, mas resurgiu das cinzas em 2026, com tecnologia atualizada.


surge o pranchão elétrico


Em 2015, o Grupo Alavontê - Movimento musical que nasceu de encontros entre amigos: Manno Góes, Jonga Cunha, Andrezão Simóes e Ricardo Chaves, onde se animaram com a possibilidade de tocarem juntos. A apresentação aconteceu no Carnaval de Salvador de 2015 em um trio totalmente diferente dos já conhecidos, chamado de Pranchão;. No lançamento, a nova estrutura não terá cobertura para que os músicos sejam vistos do alto, permitindo maior contato entre os artistas e o público. Se chovesse, usavam uma lona.

O Pranchão; é um palco móvel mais baixo e aberto, criado para aproximar os artistas dos foliões sem as barreiras dos grandes trios tradicionais. Tê um Palco com altura reduzida (cerca de 1 a 1,5 metro), facilitando o contato visual e o toque com o público. Ausência de cordas ou grades de isolamento de blocos tradicionais. Uma proposta intimista que resgata a essência dos antigos carnavais de rua em com uma estrutura mais baixa e aberta.


Crédito: divulgação 2015

trios são inseridos em desfile de escolas de samba


Os trios elétricos começam a serem inseridos em desfiles Escolas e Samba no Carnaval.


Crédito: Revista Caminhoneiro - 2023


surgem os minitrio, microtrio e nanotrio


Pequeno no tamanho, gigante na história! Novos tamanhos e modelos de Trios elétricos começam a surgir no Carnaval de Salvador, acabando a dividir em categorias: Trio Elétricos, Minitrios, Microstrios e Nanostrio. A proposta é resgatar o carnaval raiz, sem cordas, focado na "pipoca" e com volume de som controlado e saudável para promover uma festa de proximidade e menor impacto auditivo.

A principal diferença entre Minitrio, Microtrio e Nanotrio está no tamanho do veículo utilizado e na proposta de ocupação do espaço: No Carnaval de Salvador, o desfile acontece no intervalo de apresentação entre dois blocos. Apesar da potência do som ser bem menor de que um trio tradicional, os foliões são movidos pelo espírito carnavalesco, seguindo essa categoria com grande entusiasmo.

MINITRIO
O Minitrio é um caminhão de pequeno ou médio porte adaptado, com estrutura de som e iluminação mais robusta, embora ainda menor que um trio elétrico tradicional.


Carnaval de Salvador - Crédito: Minitrio Império´s Ideal

MICROTRIO
O Microtrio é montado sobre um carro de passeio convencional (como uma picape pequena), recriando a intimidade da histórica "Fubica" de Dodô e Osmar. Alguns conhecidos são: Peixinho Elétrico, TukTuk Sonoro, Garampiola, BaianaFolia (fundado 2016) e Chico Gomes O MicroTrio de Ivan Huol é um dos mais famosos Microtrios, e completou 30 anos em 2026. Consiste em colocar os músicos praticamente no mesmo nível do público. Utilizando um carro de passeio ou picape de pequeno porte (como uma Fiat Strada).
Os mini-trios são amplamente utilizados em desfiles de rua de menor porte, projetos itinerantes e atrações de pré-carnaval que exigem veículos mais compactos para trafegar em vias estreitas


Carnaval de Salvador 2025 - Crédito: Microtrio Huol


NANOTRIO
Através de veículos movidos por tração humana ou pedais, entre eles: o Bicicletrio com arranjos que misturam guitarra baiana e marchinhas carnavalescas. E o Rixô Elétrico, já sob o comando de Fred Menendez na guitarra baiana. E têm o Guiné-Bahia, Tabuleiro Sonoro, Baby Sauro (fundado em 2014), Tabuleiro Sonoro e o Coletivo Gente Boa se Atrai. Um dos mais curiosos desta categoria é o Bicecletrio.

   
a) Bicicletrio no Carnaval de Salvador 2016 - Crédito: Secom BA - Sidney Rocharte
b) Carnaval de Salvador 2025 - Crédito: Nanotrio Rixô Elétrico


trio elétrico perde a patente


A tecnologia do equipamento trio elétrico passou a ser copiada por outros Estados e Países SEM PATENTE. Segundo nos seus "Sonhos Elétricos", diz que "os inventores Dodô e Osmar, numa prova de pureza e generosidade, não patentearam o invento e, por isso mesmo, não tiveram em vida o devido reconhecimento pelos serviços prestados.

Segundo o advogado Dr. Rodrigo Moraes (2): "a vigente lei que regula a matéria, no Brasil, é a Lei nº 9.279, de 1996, denominada Lei de Propriedade Industrial. Pode-se conceituar a patente como o direito exclusivo para exploração econômica de uma invenção ou de um modelo de utilidade, concedido pelo Estado, durante um prazo determinado, mediante ato administrativo. O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), autarquia federal, é o órgão administrativo responsável para a análise dos depósitos de pedido de patente de invenção e de modelo de utilidade. A patente de invenção dura 20 anos, não sendo admitida prorrogação, assim como a patente de modelo de utilidade dura 15 anos, também sendo improrrogãvel esse período".


Trio Marajós 1972 - Crédito: Trio Marajós - rede social


Segundo exemplo do Dr. Rodrigo (2): "Em 08 de agosto de 2003, Wilson Marques da Silva (irmão de Bell Marques, líder da Banda Chiclete com Banana), depositou, no INPI, um pedido de patente de invenção (PI0302799-6), para uma PORTA LEVADIÇA PARA TRIO ELÉTRICO". Tal invenção, segundo informação disponibilizada no próprio site do INPI , seria "constituída de uma porta que pode ser instalada em qualquer uma das laterais, funcionando de forma similar As pontes levadiças, para ser usada como ribalta, podendo subir em sentido vertical até a altura do palco propriamente dito do trio elétrico, através de correntes, hidráulicos ou parafusos sem fim." Em 08 de maio de 2007, todavia, o processo foi arquivado, com base no art. 33 da Lei de Propriedade Industrial, que dispõe o seguinte: Ao exame do pedido de patente deverá ser requerido pelo depositante ou por qualquer interessado, no prazo de 36 (trinta e seis) meses contados da data do depósito, sob pena do arquivamento do pedido." O pedido foi arquivado porque o depositante (Wilson Marques) não requereu o exame do pedido. Ou seja, desistiu do processo administrativo no meio do percurso."


qual o volume permitido de um trio?


A SUCOM, ou seja, Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo do Município, desenvolve durante o Carnaval de Salvador, Bahia, diversas ações voltadas ao combate da poluição sonora.

Desde o início de cada festa momesca a SUCOM realiza em média 220 monitoramentos sonoros nos circuitos da folia (Barra/Ondina e Avenida7/Campo Grande). De acordo com o fiscal sonoro da autarquia, o som muito elevado pode causar um comprometimento do aparelho auditivo, além de alterar os   batimentos   cardíacos.

O volume máximo permitido é 110 decibéis para os blocos de adultos e 80 para os infantis. Além das ações desenvolvidas junto aos trios elétricos, a SUCOM também atua na fiscalização do som muito alto nos camarotes.



Trio Tiranossauro REX - Carnaval de Salvador 2005
Foto: SECULT BA - divulgação


do que um trio elétrico é composto?


Primeiro é necessária uma estrutura metálica reforçada. Mais de cinco toneladas de ferro para suportar o peso dos equipamentos e a decoração, já que cada trio tem o seu diferencial. O veículo utilizado normalmente é uma carreta.

       
       

       

       

       





O Trio desfilou no InterAsa (Bloco Internacionais) com a Banda Asa de Aguia (Durval Lelys)


como é feito a vistoria de um trio?


A Central da Vistoria é um orgão que inspeciona os itens de segurança dos trios eletricos e carros de apoio, cadastrando todos os veículos que desfilam e animam milhares de foliões nos circuitos do Carnaval.

Todos os veículos devem estar adequados dentro das exigências da Central de Vistorias, cumprindo os aspectos da segurança do trio elétrico e do carro de apoio, tais como: motor, freios, instalação de GPS, conservação dos trios, limpeza de sanitários, tamanho e pintura do trio elétrico.

A Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo do Município (Sucom), durante o carnaval, vistoria os volumes máximos permitidos são 110 db para blocos de adultos e 80 db para os infantis.



Crédito: Trio Tiranossauro REX - Carnaval de Salvador 2007
Foto: SECULT BA - divulgação


trios viram carrinhos de café


Em Salvador, na Bahia, os carrinhos que vendem café e leite são em forme de trio elétrico e tocam até música. É uma intervenção artística lúdica inspirada em miniaturas do cotidiano Anualmente, concorrem a premiação pela Prefeitura como o mais original e completo.


   


como surgiu "vamos dar a volta no trio?"


Vamos dar a volta no Trio... Bordão que foi criado no bairro do Candeal o Candyall Guetho Square (em Salvador - Bahia), em novembro de 1996 , pelo cantor, compositor e músico Carlinhos Brown.

Foi durante os Ensaios da Timbalada, que acontecia em um palco 360 graus, que ao refrão VAMOS DAR A VOLTA NO GUETHO, os folióes circulavam em volta do palco, onde Carlinhos Brown cantava o refrão: VAMOS DAR VOLTA NO TRIO, na alusão que estavam circulando o trio elétrico na folia momesca.

O local era (e é) uma atração à parte, com sua arquitetura diferenciada, decoração e pintura carregada de elementos e referências múltiplas e africanizadas, trazendo um palco 360 graus no centro da quadra, além de sua localização inusitada - no meio da Favela Candeal. CONTINUAÇÃO AQUI.
CONTINUAÇÃO AQUI.



Crédito: Acervo Carlinhos Brown

Eui fui atrás do caminhão...

Carnaval Elétrico, Carnaval Eclético!
E têm muito mais, que estamos incluindo aos poucos.



referências bibliográfica
- Pesquisadora Lilian Cristina Marcon
- site oficial de Armandinho Dodo & Osmar
- Armandinho, Dodó & Osmar, site oficial
- Arquivo do Histórico de Salvador
- BROWN, Carlinhos - Candeal Guetho Square
- CAMPOS, Orlando - site oficial Trio Tapajós
- EMTURSA, Empresa de Turismo de Salvador
- Exposição da Memória de Carnaval, 13 a 29 de fevereiro de 2012, Espaço Cultural Barroquinha, Salvador (BA)
- FACOM UFBA - Caetanave no Museu du Ritmo
- INPI - site www.inpi.gov.br
- ROCHA, Pedrinho - Traz os Montes 2010, Trio REX 2005 e 2007- SEE+
- SECOM BA - Secretaria de Comunicação Social da Bahia (Salvador)
- SUCOM BA - Vistoria de Trios no Carnaval
- Seminários de Carnaval II, livro UFBA - SEE+
(1) TVE, IDERB, reprodução do vídeo "60 anos do Trio Elétrico"
(2) MORAES, advogado Rodrigo - Trio Elétrico: é possível patentear essa invenção? - 27/04/2011 - SEE+
(3) CENTRAL DO CARNAVAL, Tiranossauro Rex, 22/10/2010




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