cantinho da folia



origem

A diversão carnavalesca conhecida como Zé Pereira nasceu em Portugal No século XIX, onde tocadores de bumbos grandes acompanhavam as procissões e romarias nas regiões do do Norte, entre Douro e da Minho. Os grupos de Zé Pereira desfilam até hoje pelas ruas do norte de Portugal, nas regiões do do Norte, entre Douro e da Minho, acompanhando romarias acompanhados de gigantones e cabeçudos, e é, sem dúvida em Agosto, nas incomparáveis e magníficas Festas de Nossa Senhora d´Agonia, que a tradição atinge o seu maior expoente.


cabeçudos e gigantones

Na romaria tocam as concertinas, os "Gigantones e Cabeçudos" rodopiam ao som dos bumbos dos ZÉS P´REIRAS ou seja, ZÉ PEREIRA dançando com as lavradeiras , começando pela ponte de Gustave Eiffel, passando pelo Castelo de Santiago da Barra, indo até ao Templo-Monumento de Santa Luzia, em Portugal.

Trata-se de um dos quadros mais emblemáticos da romaria, que no més de Agosto, começa com o desfile da mordomia e com a primeira revista de gigantones e cabeçudos, descrita no programa da romaria como atraente número, rico de movimento e esfuziante alegria" e onde os grupos de Bombos e Zés Pereiras prestam a sua vassalagem aos Gigantones e Cabeçudos.
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Zé Pereira, o personagem carnavalesco

Foi no dia 23 de fevereiro de 1946, numa segunda-feira de carnaval, no Rio de Janeiro (Brasil), que o PERSONAGEM CARNAVALESCO entrou para a HISTÓRIA DO CARNAVAL e passou ser conhecido popularmente até hoje como ZÉ PEREIRA.

O sapateiro português JOSÉ NOGUEIRA DE AZEVEDO PAREDES saiu da Rua São José, nº22, seguindo pelas ruas do Rio, vestido com calças amarradas pelo suspensório e chapéu, com um imenso bigode, tocando seu bumbo desordenadamente. "Não chegando a produzir qualquer espécie de música, sem nenhum ritmo compassado.





A alegria foi contagiante e foi seguido por inúmeros amigos e também desconhecidos que aderiram a folia.

Anos seguintes, não apenas o bumbo do Zé Nogueira participou da folia, mas zabumbas, tambores e tantos outros instrumentos o acompanharam anarquicamente pelas ruas.

E logo, formou-se grupos espalhados pela cidade desfilando ao som das pancadas dos instrumentos. A maioria dos pesquisadores apontam o surgimento do Zé Pereira para 1846, mas há outros que apontam datas diferentes como 1852 (Edmundo, 1987) ou em 1848 e 1850 (Araújo, 2000).

Em 1867, o sapateiro português José Nogueira Paredes mudou-se para Ouro Preto para trabalhar no Palácio de Governo e levou o festejo Zé Pereira para Minas Gerais (Brasil). Assim nascia o Bloco Zé Pereira Clube dos Lacaios, organizado por funcionários do Palácio .


Vasques adapta "Les Pompiers de Nanterre"

A tradição se espalha rapidamente e o sucesso do Zé Pereira foi tão grande que, anos mais tarde (1869), a Companhia Teatral de Jacinto Hller resolve representá-lo numa paródia da peça teatral francesa "Les pompiers de Nanterre" ("Os bombeiros de Nanterre") era a fanfarra original da abertura do espetáculo francês, intitulada "O Zé Pereira Carnavalesco", de Larone e Martinaux.

O comediante Francisco Correia Vasques incumbe-se em fazer a adaptação da canção de Antonin Louis e Philibert Burani (também intitulada "Les pompiers de Nanterre") e cantá-la na peça "O Zé Pereira Carnavalesco" com estréia no sábado, dia 05 de julho de 1969. Francisco Correia Vasques (RJ *1839 +1892) foi dramaturgo, folhetista do periódico Gazeta da Tarde (RJ) e cavaleiro da Ordem de Cristo de Portugal.

Lembrando que a marcha francesa da peça Les Pompiers de Nanterre (Os Bombeiros de Nanterre) foi estreiada no palco do Alcazar Lyrique (hoje Rua Uruguaiana, Rio de Janeiro), na noite de 9 de março de 1869. A quadrinha torna-se famosa.

Caricatura de K. Lixto (Calixto Cordeiro -RJ *1877 +1957), Caricaturista e Desenhista do Periódico Antigo Fon-Fon


Zé Pereira, a música

Considerada a primeira música do carnaval carioca, O ZÉ PEREIRA CARNAVALESCO surgiu antes da canção ABRE ALAS de Chiquinha Gonzaga, ou seja, em 1869. Composta por FRANCISCO CORREIA VARQUES e pelo aproveitamento de uma marcha francesa da peça La Pompiers de Nanterre (Os Bombeiros de Nanterre), acabou sendo sucesso no Rio de Janeiro e registrando na trajetória carnavalesca o marco do "personagem da folia" Zé Pereira, o Carnavalesco . SEE+

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"O Zé Pereira Carnavalesco, a primeira música Carnaval Rio de Janeiro

Ó Entrudo, Ó Entrudo
Ó Entrudo chocalheiro,
Tu não deixas assentar
As meninas ao soalheiro!

E Viva o Zé Pereira
Pois que a ninguém faz mal
E Viva a Bebedeira
Nos dias de Carnaval
Zim, Baladá! Zim, Baladá!

Carnaval, Carnaval
Carnaval das folias
Para nós o Carnaval
Devia ser todos os dias!

E Viva o Zé Pereira
E Viva o Zé Pereira
E Viva o Zé Pereira
Viva! Viva! Viva!


O Zé Pereira foi inspirada na canção francesa Les Pompiers de Nanterre e o refrão acima virou febre nacional (Brazil), considerada a primeira música do Carnaval do Rio de Janeiro



estréia no teatro carioca

A canção foi levada ao THEATRO PHÊNIX em 1969 e aos teatros de todo o Brasil no carnaval seguinte (1970). Confira aqui a LETRA DA MÚSICA. Lembrando que a marcha francesa da peça Les Pompiers de Nanterre (Os Bombeiros de Nanterre) foi estreiada no palco do Alcazar Lyrique (hoje Rua Uruguaiana, Rio de Janeiro), na noite de 9 de março de 1869.

Na pequena peça, Vasques aparecia tocando bumbo copiando o portugês José Nogueira de Azevedo Paredes, apontado como o lançador em Portugal por ZÉ PEREIRA.

Do palco do teatro a versão foi para as ruas, tendo o povo substituído o estribilho "Zim Balalá! Zim Balalá! E Viva o carnaval!" pelos versos "Viva o Zé Pereira! Viva o Zé Pereira! Viva, viva viva!"

Segue a reprodução do texto do cartaz da peça respeitando as palavras e acentuações impressas ... SEE+

No ano seguinte já havia vários imitadores do Zé Pereira. As primeiras sociedades carnavalescas também abriram as portas para o novo costume. O Zé Pereira viraria até espetáculo teatral ("Zé Pereira Carnavalesco"), encenado em 1869 pelo ator cômico Francisco Correia Vasques (1839-1892).



Zé Pereira, versão original de Vasques, vídeo 1 - referências no final



Les Pompiers de Nanterre

Fundada em 1824, os bombeiros empresa de Nanterre é um dos grandes orgulhos da cidade. Sáo voluntários recrutas que participam em todas as cerimónias oficiais. Foi sobre a melodia da quadrilha de Louis sobre os bombeiros Les Pompiers de Nanterre que Vasques escreveu a versalhada (71 versos) cantada ao ritmo dos tambores, que foi consagrada no Carnaval Brasileiro. A melodia do grã-fino misturado a zabumbada popular brasileira que fez um tremendo sucesso.

- Les Pompiers de Nanterre
- quadrilha, cantiga para piano
- Editada em Paris - 1868
- Compositor : Louis-César Desormes (*1840 +1898)




Os Zé Pereiras e o Carnaval do Zé Povinho

Em 1907, a Revista Don Quixote esboçava o Zé Pereira como uma forma de diversão carnavalesca caracterizada por um ou vários foliões fantasiados tocando bombos e desfilando em parada, associando-se à alegria característica que nasceu nas ruas do Rio de Janeiro (RJ - Brasil), sátirazando ao momento político da época.



Zé Pereira se mistura as bisnasgas

Embora o Zé Pereira e Entrudo estiveram entrelaçados nos carnavais de outrora, as bisnagas e seringas improvisadas também marcaram presença nos desfiles do Zé Pereira. SEE+


decanos do Zé Pereira

Decanos do Zé Pereira desfilavam pelas ruas do Rio de Janeiro no Carnaval de 1911.


zé pereira e vitalina

O primeiro boneco Zé Pereira confeccionado em corpo de madeira e cabeça em papel machê foi às ruas da pequena cidade de Belém do São Francisco durante o Carnaval de 1919   Depois de dez anos depois, no Carnaval de Olinda em 1929, criaram uma companheira para o Zé Pereira, a boneca Vitalina (3).



Zé Pereira nos dias de hoje

Atualmente, CONSIDERA-SE ZÉ PEREIRA, todo grupo que desfila pelas ruas e avenidas das cidades brasileiras, tocando bumbo e outros instrumentos ou música de pancadaria com ruído ensurdecedor. Zé Pereira é uma forma de diversão carnavalesca caracterizada por um ou vários foliões tocando bombos e desfilando em parada, associando-se à alegria característica que nasceu nas ruas do Rio de Janeiro (RJ - Brasil).



Zé Pereira dos Lacaios



Tradicional desfile do Zé Pereira
pelas ruas de Ouro Preto

Em 1867, o sapateiro portuguê José Nogueira Paredes e CRIADOR DO PERSONAGEM CARNAVALESCO no Brasil, mudou-se para Ouro Preto para trabalhar no Palácio de Governo e levou o festejo Zé Pereira para Minas Gerais (Brasil).

Assim nascia o Bloco Zé Pereira Clube dos Lacaios, em 01 de janeiro de 1867, organizado por funcionários do Palácio. O nome Lacaios referia-se aos puxa-sacos e seus fraques e cartolas, que se tornaram marca registrada do bloco ouro-pretano.

Ao longo do tempo, o bloco mantém suas características originais, com os CATITÕES (grandes bonecos) e os CARIAS (pequenos diabos), que vão tirando faíscas do calçamento como lanças.

Os trés bonecos tradicionais - Zé Pereira, uma baiana e um catitão - foram feitos na década de 1960 e a eles se juntam outras figuras populares e personagens históricos, como Sinhá Olímpia e Tiradentes ... SEE+


Zé Pereira São Bento do Sapucaí

O Bloco Zé Pereira é tradição da folia momesca da cidade de São Bento do Sapucaí, estado de São Paulo, situado na Serra da Mantiqueira, no Brasil. e desfila pelas ruas em todas as noites de carnaval, sempre das 19:00 as 22:00 horas. E a cada ano é definido um tema para a folia.


bonecos gigantes de olinda

A tradição dos bonecos gigantes, iniciada em Belém do São Francisco, ganhou as ladeiras da cidade de Olinda (cidade histórica do Recife, estado Pernambuco/Brasil) no Carnaval de 1932, com a criação do boneco do Homem da Meia-Noite, confeccionado pelas mãos dos artistas plásticos Anacleto e Bernardino da Silva.

Em 1937 surgiu a Mulher do Meio-Dia, em 1974 foi à vez do Menino da Tarde pelas mãos do artista plástico Silvio Botelho, que popularizou a tradição com criação do Encontro dos Bonecos Gigantes. Na alegoria, o Menino da Tarde é filho do Homem da Meia-Noite com a Mulher do Dia, e irmão da Menina da Tarde.

A brincadeira começou com O Homem da Meia-Noite (1931). Segundo o conhecimento popular, todos os dias, exatamente à meia-noite, um homem muito bonito seguia a pé pela Rua do Bonsucesso ... CONTINUAÇÃO AQUI

Carnaval Toca N´água

Nos dias atuais o desfile do Zé Pereira acontece no Ribeirão da Ilha, em Florianópolis, Santa Catarina, que desde o final do século XIX conta com foliões fantasiados embalados por sambas e marchinhas e com desfile carros alegóricos. Mas foi na década de 1950 que o banho à fantasia virou marca registrada da folia momesca no sul do Brasil, que passou a se chamar Carnaval Toca N´água ou Zé Pereira.


zé pereira em lavagens

O Zé Pereira e bonecos gigantes se misturam entre carros alegóricos e blocos afoxés na Lavagem Cultural da Funceb, onde na ocasião é coroado o Rei e a Rainha da festa que é realizada todo ano em janeiro.

A primeira Lavagem Cultural da Funceb aconteceu em 1989, quando a instituição, hoje localizada no Centro Histórico, ainda funcionava na Biblioteca Pública do Estado da Bahia, no bairro dos Barris, em Salvador (na Bahia, Brasil). De lá para cá, a Lavagem prosseguiu apoiada pela comunidade, funcionários, familiares, convidados e celebridades como Ivete Sangalo, Daniela Mercury, Carlinhos Brown, Armandinho, Elba Ramalho, Preta Gil, Licia Fabio, Tatau, Levi Lima, Denny Denan, Alinne Rosa, Ana Mametto, dentre muitos outros (5).
Foto divulgação


Corso do Zé Pereira

Teresina, capital brasileira do Piauí é realizado o Corso do Zé Pereira, uma gigantesca carreata pré carnavalesca desde 1930. E foi oficializado em 2012 pelo Guinness World Records Book como a maior manifestação popular da capital piauiense e o maior corso do mundo. - SEE+



vídeo 2, referências no final


projeto musical

Em 1998, Karen Acioly lança no Brasil, o projeto Musical VIVA O ZÉ PEREIRA. Patrocinado pelo Centro Cultural Light, o projeto apresenta quinze músicas de Lamartine Barbo e Baiano à Anibal Portela.

1. Dança do Urubú, 1917
2. Lero, Lero, 1941, Benedito Lacerda
3. Serenata Chinesa, 1948, João de Barro e Severino Araujo
4. O Abre-Alas, 1899, Chiquinha Gonzaga
5. Seu Zé Pereira, 1930, Jararaca
6. Evocação, 1957, Nelson Ferreira
7. Tem Mulher no Samba, 1951, Raimundo Olavo

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Bloco do Zé Pereira

O disputado, aclamado e venerado Bloco do Zé Pereira de Santa Teresa vai fazer uma temporada no centro da cidade do Rio de Janeiro (Brasil), na série Viva o Zé Pereira. Foram quatro temas e oito apresentações que resgataram diversas manifestações carnavalescas populares como marcha-rancho e maxixe; marchinha; samba e samba-enredo; frevo e maracatu; o Bairro de Santa Teresa é localizado na Zona Sul do Rio de Janeiro (RJ).

Patrocinado pelo Ministério da Cultura e pelo Banco do Brasil, o projeto foi apresentado de 05 a 27 de Fevereiro 2011, aos sábados e domingos, num palco montado em frente ao CCBB, com entrada gratuíta.
- 05 e 06 de fevereiro 2011 - 18h - Marcha-rancho e maxixe - convidado Edu Krieger
- 12 e 13 de fevereiro 2011 - 18h - Marchinha - convidado João Roberto Kelly
- 19 e 20 de fevereiro 2011 - 18h - Samba e samba-enredo - convidado Moyseis Marques
- 26 e 27 de fevereiro 2011 - 18h - Frevo e maracatu - convidado Adryana BB



BIBLIOGRAFIA
- Pesquisadora Lilian Cristina Marcon
(1) Vídeo Youtube Zé Pereira - por Luciano Hortencio, publicado em 10/02/2015
(2) Vídeo Youtube Corso Zé Pereira - por Casa Verde, publicado em 01/02/2013
(3) Embaixada de Pernambuco - SEE+
(4) Vídeo Romaria D´Agonia, Portugal, 2015, postado no Youtube por CarnAxE 04/11/2017
(5) Lavagem Cultural da Funceb dá início aos festejos de Carnaval, SECULT/SECOM BA - 29/01/2018 10:00
- AGOSTINI, Angelo - Livro Aventuras de Nhô-Quim e Zé Caipora, pag 68, Secretaria da Cultura do Brasil
- ARAÚJO, Hiram da Costa - Carnaval: seis milênios de história, Editora Gryphus, 2000.
- Câmara Municipal de Viana do Castelo - SEE+
- EDMUNDO, Luiz - O Rio do Meu Tempo, Editora Xenon, 1987
- Encarte da Programação Oficial da Romaria de Nossa Senhora d&cute;Agonia, Portugal, agosto 2016
- Encarte do LP 100 anos de Carnaval - Gravadora Polydor
- IDERB Minas Gerais - SEE+
- Portal Serra da Mantiqueira, SEE+
- Pousada do Mondengo, Ouro Preto - SEE+
- Rádio Alto Minho de Portugal
- Revista Careta, RJ, ano4, 24 de fevereiro 1911
- Revista Illustrada, RJ, ano8, nr332, pag 4, fev 1880, Angelo Agostini
- Revista Illustrada, RJ, ano13, nr85, pag 4, fev 1888, Angelo Agostini
- Revista Mequetrefe, RJ, ano9, nr299, pag 7, 30 de janeiro 1983
- Revista Don Quixote, RJ, ano8, nr146, pag 8, 31 de janeiro 1907
- RioCult, blog carioba


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