Nega Maluca
NEGRA NÃO É FANTASIA DE CARNAVAL! E concordo! É uma fantasia racista que apropria da identidade e miscigenação brasileira.
"Blackface" e " Nega Maluca" é uma tradição racista que ridiculariza as mulheres negras durante o Carnaval. NÃ0 FAÇAM! NÃ0 USEM!.
Mas nem sempre foi considerada assim, infelizmente! Com caras, bocas e bumbum exagerados com máscaras e luvas pretas, as fantasias Nega Malucas, surgiram à partir do CARNAVAL DE 1950.
origem e história
A fantasia nasceu de forma exagerada nos Estados Unidos, na indústria radiofônica, durante o século XIX.
Tamanho foi o sucesso que acabou ganhando uma "fantasia" em espetáculos de Teatros de Revista, dos Estados Unidos e da Europa.
Nesta época, a fantasia de Nega Maluca foi incorporada no Carnaval de Rua no Rio de Janeiro, circulando ao lado dos Pierrôs, Ursos, Colombinas, etc. Nesta época, os Teatros de Revistas brasileiros incorporaram a personagem "Nega Maluca" em suas cenas. Em fevereiro de 1911, o CARETA fazia o primeiro registro da fantasia "Nega Maluca" no Carnaval de Rua carioca, em um Periódico.
Crédito: Periódico Careta - ed144 - Fevereiro 1911
Nega Maluca (terceira da esquerda para a direita) no Carnaval 1911 do Rio de Janeiro
Mas a "popularidade" da Fantasia no Carnaval brasileiro nasceu com o samba "Nega Maluca", gravado em 1949 (para concorrer ao samba do Carnaval carioca de 1950) pela intérprete Linda Baptista, uma composição de Fernando Lobo e Evaldo Ruy (Ewaldo Ruy na grafia do LP).
O samba foi escrito porque Edvaldo Ruy contou ao velho amigo Fernando Lobo, uma cena que presenciou em um bar no Rio de Janeiro, onde
uma crioula insistia em entregar uma criança a um frequentador, alegando que o filho era dele.
O rapaz, que estava jogando sinuca com colegas, se recusava a receber a criança repetindo, insistentemente, que o filho não era dele.
Foi da canção que nasceu a brincadeira carnavalesca da fantasia, com a boneca na mão, procurando o pai.
E, tamanho foi sucesso no Carnaval no Brasil em 1950, que contribuiu que neste ano, para que a fantasia "Nega Maluca" fosse uma das mais usadas pelo "público masculino".
Desde então, a fantasia exagerada ganhou o gosto popular da época.
Em 1950, jornais e o periódicos registravam famílias inteiras fantasiadas de "Negas Malucas" carregando uma boneca, ressaltando a brincadeira que era buscar/encontrar o "pai da criança" na folia momesca.
Não foi só no Carnaval do Rio de Janeiro que a fantasia foi uma das mais replicadas, mas em todo o Brasil. O periódico O Cruzeiro retratou a Nega Maluca brincando no Carnaval de 1950 na cidade de Santos, litoral sul de São Paulo.
Nega Maluca em Santos SP - Crédito: Periódico O Cruzeiro 25/02/1950
NEGA MALUCA - 1950
(Linda Baptista)
Tava jogando sinuca,
Uma nega maluca
Me apareceu,
Vinha com um filho no colo
E dizia pro povo:
"Que o filho era meu", não senhor
Tome que o filho é seu, não senhor
Pegue o que Deus lhe deu, não senhor
SAMBA DA NEGA MALUCA - 1999
(Banda As Meninas com Carla Cristina)
Nega Maluca, Nega Maluca
Doida, doida, doida
Nega Maluca, Nega Maluca
Doida, doida, doida
Eu quero ver você mexer
Quero ver você sambar
Segure aqui segure ali
Só não pare de quebrar
A fantasia Nega Maluca é racista e você já sabe disso! Não Use!
Aqui estamos apenas regatando a história carnavalesca, seus personagens e seus costumes.
afinal como é uma nega maluca?
Nega Maluca é uma fantasia carnavalesca com caras, bocas e bumbum exagerados, geralmente com rosto e corpo pretos, composta por um VESTIDO vermelho com bolas brancas ou pretas, com mangas compridas preta com SAPATOS baixos e pretos. Uma CALÇA ou meia-calça comprida preta.
A PERUCA também faz parte do modelo, com cabelos pretos, curto e enrolados. Compõe o modelo LUVAS pretas e uma BONECA no colo.
Na década de 50, usavam máscaras preta com os olhos e bocas avantajados, circulados com tecido branco.
Posteriormente, aderiram a pintura "Blackface" (pintando o rosto com tinta preta).
Crédito: Cultura Preta
patrimônio municipal baiano
Tradição, Identidade e Cores, o Carnaval da cidade de São Francisco do Conde, na Bahia é um espaço cultural de ritmos e cores.
A NEGA MALUCA, personagem criado pelo artista Luís Carlos dos Santos Sacramento (Neném) e os CARETAS começaram a fazer parte da folia momesca na cidade nos anos 80.
A brincadeira foi um sucesso, que ano após ano, novos adeptos foram se fantasiando e desfilando nas ruas da cidade baiana.
Em 2017, foi resgatado a hitória carnavalesca de São Francisco do Conde, na Bahia. Em 2018 foi publicada uma Lei Municipal que torna Personagens e Manifestações Culturais do Município Patrimônio Imaterial. Entre os personagens está a Nega Maluca.
Nega Maluca no Carnaval de 2012
Crédito: Prefeitura de São Francisco do Conde BA
Segundo notificado na Prefeitura da cidade (Cultura), Neném comenta como nasceu a brincadeira carnavalesca:
"Ao chegar à casa da minha mãe, em São Francisco do Conde, peguei uma peruca, consegui uma roupa preta, catei uns bagos de carvão e comecei a pisar, depois passei pelo corpo todo, vesti as roupas, pintei os lábios de batom vermelho e fui para a avenida. Os foliões começaram a perguntar: O que é aquilo? Aquela maluca pelas ruas beijando um e outro."
(02)
nega maluca no sambódromo
A fantasia da Nega Maluca esteve presente nos carnavais brasileiros e nas Escolas de Samba. E em 2013, fez parte da ala da
Bateria da Escola de Samba Alegria da Zona Sul, que desfilou no Sambódromo no Rio de Janeiro. Na madrugada
do sábado, 09 de fevereiro de 2013, a escola de samba desfilou levando a rainha de bateria Desirée Oliveira,
grávida de cinco meses (um composê para o bordão "de quem é esse pai?).

Escola de Samba "Alegria da Zona Sul" no Carnaval 2013 Rio de Janeiro
Crédito: Graça Paes/ Rio News
nega maluca, a boneca gigante
Em 2017, a história carnavalesca da "Nega Maluca" na cidade de Caiana, em Minas Gerais, foi resgatada e incorporada no desfile de bonecos gigantes.
Desde então, a boneca gigante da Nega Maluca" desfila ao lado da "Vaca da Cachaça" e do "Boi Pintadinho", que fazem parte da cultura local.
E a cada ano, são confeccionadas fantasias diferentes para o desfile desses bonecos gigantes no Carnaval.
Boneca Gigante "Nega Maluca" no Carnaval de Caiana MG
Crédito: Portal Minas Gerais
Bloco e Tradição de Angra dos Reis
O Bloco Carnavalesco Nega Maluca teve origem em 1977, no bairro de São Bento, da cidade de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.
Nasceu de encontros de amigos que se fantasiavam e promoviam batucadas no Carnaval da cidade, e de um grupo familiares de Eliana de Souza Braz (atual presidente da agremiação),
tendo alguns instrumentos de sopro ditando a animação, porém seu ritmo era reforçado por tampas de panelas.
"O bairro era conhecido como moradia de muitos músicos, sendo alguns da Banda do Colégio Naval. Desde os tempos do Bloco do São Bento, primeiro nome da agremiação, a Diretoria mantém a tradição de alimentar os foliões de amigos com cachorro quente logo após os seus desfiles." (01)
Bloco Nega Maluca no Carnaval 2011 de Angra dos Reis
Crédito: ABCAR RJ
"Desde 1977, virou tradição o desfile do Bloco no Carnaval de Angra dos Reis, arrastando milhares de foliões.
Muitas "caras, bocas e exagerados bumbuns das caricatas mulheres e até de homens, que não resistem e entram também na folia,
no ritmo das tradicionais marchinhas de carnaval". (01)

Jornal O Dia - Rio de Janeiro 13/02/2023
"A concentração do bloco é sempre na Praça do São Bento e a tradição é de iniciar a sua festa nas ruas da cidade por volta das 10 da noite. A banda, que anima os foliões, tem 11 componentes e a frente do carro de som vem o bonecão da Nega Maluca como abre-alas da alegria.
(01)
carnavais do mundo
Las Negritas y los Negritos na Venezuela
Já na Venezuela, têm uma trupe e carro alegórico coloridos e alegres parecidos com as Negas Malucas brasileiras, só que chamadas de "Las Negritas y los Negritos".
O bloco é tradicional e um dos mais esperados do Carnaval da cidade de Cambinas, no Estado de Zulia, na Venezuela.
Carnaval 2025 de Cambinas, na Venezuela
Crédito: Diário El Regional del Zulia de 03/03/2025
La Negra Tomasa
La Negra Tomasa virou tradição no O Carnaval Los Indianos que acontece na cidade de Santa Cruz de la Palma é um município da ilha de La Palma, província de Santa Cruz de Tenerife, comunidade autónoma das Canárias, Espanha.
O tradicional desfile acontece sempre na segunda-feira de Carnaval que arrasta mais de 60 mil pessoas no evento emblemático da capital de La Palma.
Durante o desfile, todos se vestem de branco, jogam talco, lançando nuvens de pó por toda parte, simbolizando a ligação com Cuba
e viagens ao "outro lado do charco".Onde é ressaltado o colorido da figura emblemática La Negra Tomasa.